
Titulo que define os passos bravos de um blog que não traz nada além do nada.
A minha indignação é trazida em forma de flor.
Trabalhando a dois dias em uma das grandes favelas da cidade acabei envolvido por um sentimento que sempre tentei evitar em todos os momentos da minha vida. Se deparar com a realidade em que vivemos é muito dura para quem está acostumado a apenas olhar para o que há em seu próprio mundo. Não que desconhecesse toda essa realidade que se esconde por detrás dos morros da nossa linda Blumenau mais apenas não me via inserido diretamente a ela.
Ao adentrar em uma casa para fazer a vistoria normal do tratamento contra o mosquito da Dengue acabei chegando a uma espécie de vila. Há lá cinco ou seis casas, todas de madeira e muito simples.com muito lixo por toda parte e nenhuma pavimentação ou condições de saneamento. Dessas casas ali encontrei apenas uma com moradores onde fui me apresentar.
Ao abrirem a porta me deparei com uma mulher que aparentava ter 30 a 40 anos de idade com um bebezinho no colo. Ao começar a conversar e fazer alguns questionamentos sobre as condições da casa acabei descobrindo que essa mulher tem apenas 22 anos, um ano a mais do que eu, e já segurava um filho em seus braços.
Saindo dali sentei-me em uma pedra e fiquei a olhar em volta, os morros que me cercavam e as ruelas que ali havia me davam a sensação de um grande descaso com aquela população. O que leva um governante a autorizar uma obra milionária de uma construção de um estádio de futebol sendo que a necessidade básica da sua população ao qual ele representa é simplesmente negada? Agora me pego a pensar realmente nas coisas que foram ditas há poucos dias pela minha mãe. Ela comentou que quando nasci fui honrado por governantes do estado do Paraná e cresci dentro de uma Câmara de Vereadores onde qual é decidido toda e qualquer obra fundamental para a cidade. Enfim, tive todas as condições para me tornar um político sem causa.
Trabalhando no serviço público pela segunda vez enxerguei com mais clareza como realmente funciona a nossa falsa democracia. Espero não levar esse grande desgosto pela minha vida afora. A minha vontade é realmente talvez agora de tomar o partido dessa causa, levar essas coisas a diante e aliviar um pouco essa agonia que hoje me atinge tão fortemente.
É ano político, espero que como eu muitos tenham tomado essa consciência. Não apenas para si, para a sua rua ou para a sua situação e sim para o bem maior e para o desenvolvimento social desse país que tanto precisa ser enxergado como um todo e não apenas focado em agradar a pequena minoria que vive em suas belas casas nos belos bairros das belas cidades.

Nenhum comentário:
Postar um comentário